Sobre a organização

O Instituto Mondó é uma organização sem fins lucrativos que se dedica a impulsionar a transformação social e o fortalecimento de comunidades vulneráveis. Inspirada no termo de origem tupi “Mondó”, que remete à ideia de impulsionar e fazer avançar, a iniciativa surgiu com o propósito de fortalecer o potencial humano e comunitário das regiões amazônicas, especialmente no arquipélago do Marajó, território marcado por profundas desigualdades sociais. A organização atua por meio de projetos integrados nas áreas de educação, saúde e infraestrutura (moradia, água e energia), estruturando soluções sustentáveis que partem da comunidade escolar para promover transformação social e interromper ciclos de pobreza no território. 

Grupo de pessoas em frente a uma grande porta verde, usando camisetas e credenciais de evento, com destaque para mulheres e uma criança. Foto externa em ambiente institucional.
Infinis em visita à Breves, Arquipélago do Marajó (PA), na Vila de Corcovado. | Acervo Infinis

Contexto socioeconômico

Breves (PA), localizado no Arquipélago do Marajó, apresenta graves fragilidades estruturais: apenas 1,18% dos domicílios possuem rede pública de esgoto (2013), muito abaixo da média nacional (41,93%), realidade que se reflete também nas escolas, as quais carecem muitas vezes de infraestrutura básica como água encanada e saneamento adequado. A mortalidade infantil era de 15,79 por mil nascidos vivos (2017), 23% acima da média nacional naquele ano. Segundo o Censo do IBGE de 2022, o município possui 106.968 habitantes, com população majoritariamente parda e preta (84,94%) e o Censo 2022 registrou 106.968 moradores; desse total, 43,84% têm até 19 anos. O mesmo Censo aponta 823 pessoas indígenas no município (0,77% da população), ausência de população quilombola registrada e 7.242 moradores vivendo em favelas e comunidades urbanas, o que corresponde a 6,77% da população total. Além disso, o município registra 34.169 famílias cadastradas no CadÚnico, evidenciando a forte presença de públicos em situação de vulnerabilidade social no território.
 
Um diagnóstico de saúde mental realizado pelo Instituto Mondó no território em (2024), utilizando três ferramentas – rodas de conversa, entrevistas semiestruturadas e aplicação do questionário PHQ-9 – reforça que esse contexto de vulnerabilidade social impacta diretamente crianças e adolescentes, já que 62,8% apresentam algum grau de depressão, com registros relevantes de ideação associada à morte (25,1%) e automutilação (16,9%). Portanto, se trata de um território marcado por limitações estruturais e elevado risco psicossocial.

Objetivo do projeto

Viabilizar a promoção da saúde mental de crianças e jovens nas comunidades amazônicas por meio do ambiente escolar, com foco na redução de vulnerabilidades e no fortalecimento das redes de proteção social e comunitária. Estão entre os objetivos específicos:

  • 01. Desenvolver uma rede de enfrentamento aos desafios de saúde mental na Amazônia;
  • 02. Desenvolver um programa integrado e customizado para a realidade local;
  • 03. Aumentar o letramento da comunidade escolar, profissionais da saúde e comunidade a respeito da saúde mental;
  • 04. Contribuir para que as escolas se tornem locais de promoção de saúde mental;
  • 05. Construir um banco de dados que contribua para o desenvolvimento de políticas públicas para a comunidade amazônica;
  • 06. Reduzir fatores de risco associados ao sofrimento psíquico, à automutilação e ao comportamento suicida entre os beneficiários do projeto.

Parceiros

Atores envolvidos no projeto

Diálogo com as políticas públicas


O projeto prevê articulação direta com o poder público, através do diálogo com o Comitê Intersetorial do Programa Saúde na Escola (PSE) e instâncias institucionais locais, atuando em parceria com a Prefeitura Municipal de Breves, com participação no Conselho Municipal de Saúde e Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, onde fazem parte do Conselho Deliberativo. Também propõe a construção de banco de dados para subsidiar o desenvolvimento de políticas públicas na comunidade amazônica. Além disso, o PROA atua na descentralização da pauta da saúde mental, promovendo sua inserção contínua em diferentes espaços de convivência juvenil e comunitária, para além do ambiente escolar, fortalecendo ações permanentes de cuidado, escuta qualificada e articulação territorial. Como parte dessa estratégia, o programa implementou os “Espaços PROA”, ambientes de acolhimento instalados em quatro pontos estratégicos da cidade de Breves, destinados à realização de rodas de conversa, ações de promoção da saúde mental e fortalecimento de vínculos comunitários, com uso compartilhado entre instituições parceiras e comunidade. No último ano do ciclo atual (2026), uma das atividades principais é a integração da Campanha de Promoção da Saúde Mental Permanente integrada a Agenda Pública.