Sobre a organização

O Movimento Desconecta é uma iniciativa criada por famílias com o objetivo de enfrentar o uso precoce e excessivo de smartphones e redes sociais por crianças e adolescentes. Surgiu da preocupação com os impactos negativos já evidenciados por pesquisas, como prejuízos à saúde mental, à cognição, aos relacionamentos e à qualidade de vida, além de riscos como cyberbullying e exposição a conteúdos nocivos. Diante da pressão social que leva muitos pais a oferecerem celulares cada vez mais cedo, o movimento propõe devolver às famílias o poder de decisão e estimular uma mudança coletiva baseada em informação e conscientização.  

A principal estratégia do movimento é incentivar acordos coletivos entre famílias e comunidades escolares para adiar o acesso ao primeiro smartphone (idealmente até os 14 anos) e às redes sociais (até os 16 anos). A proposta não é ser contra a tecnologia, mas promover seu uso mais equilibrado e adequado à cada faixa etária. Por meio da mobilização comunitária, o Movimento Desconecta busca reduzir a pressão social sobre os pais, fortalecer vínculos familiares e estimular uma infância e adolescência mais conectadas com experiências reais, como brincadeiras, convivência e desenvolvimento emocional saudável. 

Contexto socioeconômico 

O uso intensivo de celulares e mídias digitais tem se consolidado como um fenômeno com impactos relevantes no desenvolvimento de crianças e adolescentes, especialmente em contextos socioeconômicos marcados por desigualdade, acesso precoce à tecnologia e ausência de mediação adulta qualificada. A pesquisa Tic Kids Online Brasil 2025 (Cetic.Br) estima que cerca de 24,6 milhões de crianças e adolescentes acessaram a internet recentemente no Brasil, indicando nível de acesso próximo à universalização (>90%). E o celular, dispositivo com maior dificuldade para controle dos pais quanto ao uso, é utilizado por 96% das crianças e adolescentes como principal dispositivo de acesso à internet no Brasil.  

Estudos indicam que o uso excessivo está associado a prejuízos na saúde mental, incluindo aumento de ansiedade, depressão, distúrbios do sono e dificuldades cognitivas e comportamentais (Nunes et al, 2021). Além disso, pesquisas mostram que o tempo prolongado de tela pode reduzir interações presenciais, fundamentais para o desenvolvimento socioemocional, e está relacionado a menor qualidade de sono e maior risco de sofrimento psíquico

Estudos recentes indicam que o uso intensivo e problemático de redes e dispositivos pode estar associado a comportamentos autodestrutivos e sofrimento psicológico entre adolescentes, especialmente na fase entre 11 e 14 anos (WHO Europe, 2024). Nesse cenário, o ambiente digital deixa de ser apenas um espaço de interação e passa a reproduzir e, por vezes, intensificar desigualdades e violências já presentes na sociedade, exigindo respostas articuladas entre famílias, escolas e políticas públicas para garantir proteção e desenvolvimento saudável. 

Objetivo do projeto e resultados

A contratação de consultoria para realizar o planejamento estratégico teve como objetivo apoiar o Movimento Desconecta na sua estruturação organizacional, em um momento de rápido crescimento e aumento de visibilidade. Um dos objetivos centrais era o alinhamento das fundadoras em torno de uma visão comum de futuro e propósito, além de construir bases sólidas para a expansão do impacto do movimento. Para isso, foram conduzidos diagnósticos organizacionais, entrevistas com lideranças, workshops presenciais e definição de objetivos estratégicos (OKRs), com foco na criação de um modelo de gestão mais claro, na organização de papéis e responsabilidades e no fortalecimento da capacidade de tomada de decisão e execução do time. 

Como resultado, o Movimento passou a contar com uma estrutura organizacional mais definida, com áreas, papéis e responsabilidades formalizados, além da implementação de um modelo de gestão baseado em rituais, processos e maior autonomia das lideranças. Também foram estabelecidos direcionadores estratégicos, incluindo visão de futuro, objetivos de curto e médio prazo e planos de ação para sustentação do crescimento. Esse processo contribuiu para reforçar os fluxos internos, reduzir gargalos de comunicação e decisão e fortalecer a capacidade do Movimento Desconecta de escalar sua atuação, ampliando seu potencial de mobilização social e impacto na promoção de uma infância mais saudável e protegida do uso precoce de smartphones