Sobre o tema
A violência contra crianças e adolescentes permanece como um problema grave, estrutural e persistente no Brasil, manifestando-se de múltiplas formas e incidindo de maneira desproporcional sobre populações em situação de maior vulnerabilidade social. Conforme definido pela Organização Mundial da Saúde
no âmbito do pacote técnico INSPIRE, trata-se do uso intencional da força física ou do poder, real ou ameaça, contra crianças e adolescentes, que resulte ou tenha grande possibilidade de resultar em lesão, morte, dano psicológico, prejuízos ao desenvolvimento ou privação.
Nesse sentido, a violência deve ser reconhecida como um problema de saúde pública, dado seu impacto amplo e duradouro, atravessado por desigualdades históricas, normas culturais e fragilidades institucionais, que compromete direitos fundamentais e afeta profundamente o desenvolvimento integral de meninas e meninos. Evidências afirmam que a exposição à violência está associada a uma ampla gama de consequências para a saúde ao longo da vida, incluindo problemas de saúde mental, maior risco de doenças crônicas, infecções, comportamentos de risco, baixo desempenho escolar e dificuldades sociais e econômicas.
Apesar da magnitude do problema, ainda existem lacunas relevantes na produção e sistematização de dados, bem como na geração de evidências sobre intervenções efetivas de prevenção e proteção no contexto brasileiro. Essa insuficiência de informações qualificadas dificulta a formulação de políticas públicas baseadas em evidências e a implementação de estratégias capazes de enfrentar a violência de forma estrutural e sustentável.
Os dados disponíveis, no entanto, já revelam um cenário alarmante. Em 2025, foram registrados mais de 33 mil casos de maus-tratos contra crianças, sendo que 93% das agressões foram cometidas por familiares das próprias vítimas, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Esses números evidenciam que o ambiente doméstico, que deveria ser um espaço de cuidado e proteção, é frequentemente o principal local de ocorrência das violências.
A naturalização de práticas violentas na educação e no cuidado de crianças e adolescentes agrava esse quadro. Pesquisa recente (FJLS et. al, 2023) indica que 52% da população admite já ter dado um tapa em crianças ou adolescentes, e 38% afirmam já ter utilizado objetos para agredi-los, revelando como a violência física ainda é socialmente tolerada e legitimada em muitos contextos, apesar de seus impactos comprovadamente nocivos.
A violência sexual também assume proporções particularmente graves. Em 2024, crianças e adolescentes constituíram o principal grupo de vítimas de estupro no país, sendo que quase um terço das vítimas tinham entre 10 e 13 anos de idade (FBSP, 2025). Esse dado reforça a vulnerabilidade extrema
dessa faixa etária e a urgência de ações integradas de prevenção, proteção e responsabilização.
No Infinis, assumimos o compromisso de proteger e prevenir todas as formas de violência contra crianças e adolescentes, ampliando respostas e contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa e protetiva para estes grupos sociais.