Sobre o tema

Em 2025, o Brasil celebrou sua segunda saída do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), resultado da retomada de políticas públicas estruturantes voltadas à segurança alimentar e à proteção social. Esse avanço, embora significativo, convive com um cenário ainda marcado por profundas desigualdades: mais de 7 milhões de pessoas seguem em situação de insegurança alimentar grave, enquanto cerca de 28 milhões enfrentam insegurança moderada ou leve. A persistência desses números evidencia que o acesso regular e adequado à alimentação permanece frágil e desigual, afetando de forma mais intensa famílias com crianças, mulheres chefes de domicílio, populações negras, indígenas e comunidades rurais.

Paralelamente, o país atravessa uma transição alimentar acelerada, caracterizada pela substituição de alimentos in natura e minimamente processados por produtos ultraprocessados, ricos em açúcares, gorduras e sódio. Essa mudança no padrão alimentar tem contribuído para o aumento expressivo do sobrepeso e da obesidade infantil, hoje presentes em quase um terço das crianças de 5 a 9 anos, ao mesmo tempo em que a desnutrição ainda não foi totalmente superada. Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Brasil reflete uma tendência global preocupante: a obesidade já ultrapassou a desnutrição como a forma dominante de má nutrição entre crianças e adolescentes.

Esse cenário revela a coexistência de múltiplas faces da má nutrição infantil no país. Enquanto parte das crianças ainda enfrenta restrições no acesso a alimentos em quantidade e qualidade suficientes, outras convivem com dietas inadequadas que comprometem sua saúde presente e futura. A alimentação na infância é um determinante central do desenvolvimento físico, cognitivo e emocional e exerce influência direta sobre o risco de doenças crônicas, o desempenho escolar e as oportunidades ao longo da vida.
  
Diante dessa realidade, no Infinis atuamos para impulsionar mudanças concretas no enfrentamento da má nutrição infantil, fortalecendo iniciativas que promovem o acesso a uma alimentação adequada, saudável e sustentável desde os primeiros anos de vida.