Sobre o tema
A saúde mental de crianças e adolescentes configura hoje um dos principais desafios do campo social no Brasil. Dados do estudo On My Mind indicam que uma em cada seis crianças e adolescentes no país vive com algum transtorno relacionado à saúde mental, evidenciando a magnitude e a capilaridade do problema. Esse cenário é ainda mais preocupante quando se observa que cerca de 50% dos transtornos mentais têm início antes dos 15 anos e aproximadamente 75% até os 24 anos, o que reforça a centralidade da infância e da juventude como períodos críticos para prevenção e cuidado.
No contexto brasileiro, fatores estruturais aprofundam esse quadro. A pobreza na infância, aliada à exposição precoce a adversidades socioambientais, como violência, insegurança alimentar e fragilidade de vínculos comunitários, eleva de forma significativa o risco de sofrimento psíquico e de adoecimento mental. A evolução dos dados sobre suicídio torna esse diagnóstico ainda mais alarmante. Entre 2000 e 2022, observou-se um aumento de 185% nas mortes por suicídio entre adolescentes de 10 a 19 anos e de 112% entre jovens adultos de 20 a 29 anos, segundo a Fiocruz. Esses números revelam não apenas o agravamento do sofrimento mental, mas também as limitações da rede de atenção psicossocial em responder de forma equitativa e oportuna às demandas dessa população.

Embora o país conte atualmente com 275 Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSi), esse número é insuficiente frente à dimensão do desafio e apresenta profundas desigualdades territoriais. São Paulo e Minas Gerais concentram cerca de 41,8% desses equipamentos, enquanto estados como Roraima e Acre não possuem nenhum serviço desse tipo, e Alagoas, Rondônia e Tocantins contam com apenas uma unidade cada. Essa distribuição desigual restringe o acesso ao cuidado, especialmente em regiões historicamente marcadas por maior vulnerabilidade social.
As desigualdades também se expressam de forma contundente entre grupos populacionais específicos. Entre povos indígenas, a mortalidade por suicídio, sobretudo entre jovens, é 2,7 vezes maior do que na população geral, segundo estudos recentes. Já entre crianças e adolescentes pretos e pardos, o racismo estrutural, a discriminação cotidiana e as barreiras de acesso aos serviços de saúde figuram como determinantes relevantes do sofrimento mental, aprofundando iniquidades e invisibilizando necessidades específicas.
Esse conjunto de evidências reforça que a infância e a juventude são, ao mesmo tempo, períodos de alta vulnerabilidade e uma janela estratégica de oportunidades. Intervenções qualificadas, precoces e territorializadas têm o potencial de alterar trajetórias de risco, reduzir impactos futuros e promover o desenvolvimento saudável e pleno de crianças e adolescentes.
Sobre o tema
A infância e a juventude são fases decisivas para o desenvolvimento emocional. Investir em cuidado, prevenção e políticas públicas é urgente e estratégico.
Um problema amplo e crescente
A saúde mental de crianças e adolescentes é hoje um dos principais desafios sociais no Brasil. Estudos indicam que 1 em cada 6 crianças e adolescentes vive com algum transtorno mental, muitas vezes sem acesso ao cuidado adequado.
- 50% dos transtornos mentais começam antes dos 15 anos
- 75% têm início até os 24 anos
- A infância é uma janela decisiva para prevenção e cuidado
Desigualdades que impactam o bem-estar emocional
No Brasil, o sofrimento psíquico é agravado por fatores estruturais como pobreza na infância, violência, insegurança alimentar e fragilidade de vínculos comunitários. Esses contextos ampliam riscos e limitam o acesso a apoio emocional e psicossocial.
- Exposição precoce a violências
- Racismo estrutural e discriminação
- Desigualdade no acesso a serviços de saúde
- Fragilidade das redes de proteção
O crescimento dos casos de suicídio
Entre 2000 e 2022, o Brasil registrou um aumento expressivo nas mortes por suicídio entre jovens, revelando tanto o agravamento do sofrimento mental quanto as falhas na resposta pública.
- +185% entre adolescentes de 10 a 19 anos
- +112% entre jovens de 20 a 29 anos
Onde faltam respostas, o risco aumenta
Apesar da existência dos Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSi), a oferta de serviços é insuficiente e marcada por profundas desigualdades territoriais.
- Apenas 275 CAPSi em todo o país
- 41,8% concentrados em SP e MG
- Estados sem nenhum CAPSi: Roraima e Acre
- Estados com apenas uma unidade: Alagoas, Rondônia e Tocantins
Impactos desiguais, necessidades invisibilizadas
Crianças e adolescentes não são afetados da mesma forma. Grupos historicamente vulnerabilizados enfrentam riscos maiores e barreiras adicionais ao cuidado.
- Jovens indígenas apresentam taxa de suicídio 2,7 vezes maior que a média nacional
- Crianças e adolescentes pretos e pardos enfrentam os efeitos do racismo estrutural e da exclusão social
Diálogo, escuta e ação articulada
Partindo da compreensão de que o cuidado começa pela escuta e pelo vínculo, o Infinis atua em espaços estratégicos e em parceria com organizações alinhadas aos seus propósitos. Nosso foco é fortalecer políticas públicas e iniciativas que promovam o bem-estar emocional e psicossocial de crianças e adolescentes.