Sobre a organização
O Infinis, frente de filantropia e advocacy da Fundação José Luiz Setúbal, atua na defesa da saúde de crianças e adolescentes e no fortalecimento da sociedade civil no Brasil. Orientada pelo compromisso com uma infância saudável, equitativa e integral, a organização combina incidência política baseada em evidências científicas, apoio a projetos e programas, articulação intersetorial e fortalecimento do campo filantrópico. No âmbito territorial, essa atuação se materializa em iniciativas como os parquinhos naturalizados, voltados à qualificação de ambientes que favoreçam o pleno desenvolvimento infantil, com atenção especial a contextos de maior vulnerabilidade social, participação comunitária, protagonismo infantil, contato com a natureza e construção de respostas sustentáveis para os territórios.

Contexto socioeconômico
A Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Armando de Arruda Pereira está inserida na região central de São Paulo, em um território de alta densidade urbana, intensa circulação de veículos, baixa disponibilidade de espaços seguros de brincar e desafios socioambientais que impactam diretamente a saúde infantil. No município de São Paulo, a Secretaria Municipal da Saúde por meio do Programa VIGIAR, publicado em julho de 2025, reconhece a poluição do ar como fator de risco ambiental relevante para a saúde da população, especialmente no acompanhamento de doenças respiratórias em crianças menores de cinco anos. O programa realiza vigilância de agravos como infecções respiratórias agudas, asma e bronquite nessa faixa etária, considerada mais suscetível aos efeitos dos poluentes atmosféricos. Esse risco é particularmente relevante em São Paulo, onde mais de 2 milhões de automóveis circulam diariamente e onde o material particulado fino, mais nocivo à saúde, tem forte relação com emissões veiculares na Região Metropolitana, segundo a CETESB. No caso da EMEI, somam-se ainda vulnerabilidades sociais concretas: em 2024, a escola atendia cerca de 200 crianças de 4 a 5 anos, de 20 nacionalidades, com alta rotatividade associada a famílias em situação de moradia social temporária, além de enfrentar desafios de segurança e uso crítico do espaço público no entorno da Praça da República. Nesse cenário, a revitalização do parquinho ganha relevância estratégica, pois a qualificação de áreas verdes e espaços naturalizados pode contribuir para reduzir exposição a calor, ruído e poluentes, favorecer atividade física, convivência e bem-estar, e promover a saúde mental, conforme orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) para ambientes urbanos. Assim, o projeto não se limita à melhoria de infraestrutura escolar, mas se insere em uma agenda ampliada de promoção da saúde infantil, adaptação climática e fortalecimento de um território mais seguro, inclusivo e saudável para crianças pequenas.
Objetivo do projeto
Qualificar o espaço externo da EMEI Armando de Arruda Pereira por meio da reforma e revitalização de seu parquinho, transformando-o em um ambiente mais seguro, inclusivo, sustentável e adequado ao desenvolvimento integral das crianças. A estratégia, inicialmente vinculada ao Programa Comunidades Saudáveis, busca apoiar ações em territórios e comunidades para promover uma infância saudável, especialmente diante dos desafios das mudanças climáticas. No caso da EMEI, o projeto parte da escuta das próprias crianças e da comunidade escolar para redesenhar o espaço com base nas diretrizes dos parques naturalizados, valorizando o brincar livre, o contato com elementos da natureza, a imaginação, o movimento, a convivência e o pertencimento.
Parceiros

Diálogo com as políticas públicas
O projeto prevê diálogo com o poder público, especialmente por se tratar de uma intervenção em uma escola municipal e depender de aprovações institucionais para sua implementação. A documentação indica a realização de reunião com representantes da Secretaria Municipal de Educação (SME) para apresentação, detalhamento e encaminhamento da aprovação do projeto, além da participação da equipe escolar no diagnóstico e na escuta realizada com as crianças. O apoio dialoga com políticas e diretrizes já existentes relacionadas à educação infantil, ao direito ao brincar, à participação infantil, à promoção da saúde e à qualificação de espaços escolares, mas não há indicação de que tenha como objetivo direto incidir para a criação de novas leis; seu foco está mais na construção de um arranjo prático de colaboração entre organização social, escola, território e poder público para viabilizar a revitalização do parquinho como espaço seguro, inclusivo, naturalizado e promotor de desenvolvimento infantil.