Promover a saúde mental de adolescentes e jovens também passa por criar espaços de escuta, fortalecer vínculos, ampliar o acesso à informação e garantir que as próprias juventudes participem das decisões e da construção de soluções que afetam suas vidas. 

É a partir dessa perspectiva que o Infinis – Instituto Futuro é Infância Saudável apoiou a realização da ECOA, trilha formativa desenvolvida pela Associação Pela Saúde Emocional (ASEc+) para unir conhecimentos sobre promoção da saúde mental, participação social e advocacy. 

A iniciativa integra a Comunidade Jovem ASEc+, criada em 2023 para oferecer às juventudes um ambiente acolhedor e emocionalmente seguro de troca de aprendizados, fortalecimento de vínculos e construção colaborativa entre pares. Desde seu lançamento, as diferentes ações da comunidade já alcançaram mais de 30 mil jovens de diversas regiões do Brasil. 

Saúde mental, participação e cidadania 

Realizada entre 2025 e 2026, a ECOA foi direcionada a jovens de 18 a 29 anos do Estado de São Paulo interessados em atuar no campo da saúde mental. Ao todo, 22 jovens participaram da formação, que combinou os 20 anos de experiência da ASEc+ na promoção da saúde mental com ferramentas de organização política e incidência social. 

Ao longo da jornada, os participantes tiveram encontros semanais sobre promoção da saúde mental, funcionamento dos serviços públicos, análise de dados e estratégias de advocacy. Também contaram com mentorias especializadas e momentos de autogestão para transformar o conhecimento adquirido em ações concretas. 

Como parte da iniciativa, foram produzidos conteúdos audiovisuais e uma cartilha digital sobre promoção da saúde mental em contextos escolares. As entregas deram origem a uma campanha digital que busca ampliar o debate sobre saúde mental nas escolas, fortalecer redes e estimular o protagonismo dos jovens. 

Muitas vezes é a sociedade civil que se mobiliza para garantir a eficácia da lei 14.819/2024 (que institui a Política Nacional de Atenção Psicossocial nas Comunidades Escolares).  Acima de tudo, devemos olhar para além do adoecimento e entender como podemos falar de saúde mental antes do adoecimento chegar, afirma Letícia Cortes, educadora social

Para Nicolas Silva, estudante, a escola ocupa um lugar fundamental nessa rede de apoio:

Nem sempre você tem um apoio, principalmente em casa. Então, se não for pra ter em casa, vai ter que ser em algum lugar; se não for para ter na escola, não vou ter em lugar nenhum.

Mais do que transmitir conteúdos, a proposta buscou ampliar a compreensão da saúde mental como um direito atravessado pelas condições de vida e pelas realidades de cada território. Questões socioeconômicas, de gênero, raça, sexualidade, clima e meio ambiente também fizeram parte das reflexões. 

Com esse repertório, os jovens foram estimulados a identificar questões relevantes em suas comunidades e a construir coletivamente estratégias para enfrentá-las. 

Da formação para a ação

A experiência resultou em três ações de advocacy, todas voltadas à disseminação e implementação da Lei nº 14.819, que institui a Política Nacional de Atenção Psicossocial nas Comunidades Escolares. 

Uma delas foi o Café com Propósito, realizado no Galpão ZL, que reuniu 28 participantes, entre profissionais da educação, familiares e professores, em uma programação com roda de conversa, compartilhamento de informações e intervenções artísticas. O encontro também resultou na construção coletiva de um manifesto político. 

Outra frente foi uma Caravana Informativa, que percorreu espaços educativos e alcançou cerca de 110 jovens. As atividades incluíram rodas de conversa sobre saúde mental nas escolas, dinâmicas e levantamento de informações sobre as experiências dos próprios estudantes. 

A terceira ação foi a criação de uma campanha audiovisual produzida pelas juventudes, reunindo registros das atividades nos territórios e depoimentos de estudantes, familiares e profissionais sobre saúde mental no ambiente escolar. 

Por que o Infinis apoia iniciativas como essa? 

A saúde mental é uma dimensão fundamental para que crianças, adolescentes e jovens possam se desenvolver de maneira plena e saudável. Mas promovê-la exige ir além de respostas individuais: é preciso olhar para os contextos em que essas juventudes vivem, fortalecer a rede de proteção, ampliar o acesso à informação e construir políticas públicas capazes de responder às suas necessidades. 

Para o Infinis, esse caminho também passa por reconhecer adolescentes e jovens como sujeitos de direitos e protagonistas na construção das soluções que dizem respeito às suas próprias vidas. 

Por isso, apoiamos iniciativas que combinam formação, participação social e fortalecimento de lideranças jovens. Ao aproximar saúde mental e advocacy, a Ecoa contribui para que os participantes não apenas compreendam melhor o tema, mas também desenvolvam ferramentas para dialogar com suas comunidades, mobilizar outras pessoas e incidir sobre políticas públicas. 

A experiência mostra que promover saúde mental também significa criar condições para que as juventudes sejam ouvidas e possam participar ativamente da transformação de seus territórios.